Solitude
Poucas coisas doem mais do que ser ignorada pelo ser amado. Se ele soubesse quantas noites eu perdi, quantos pôr-do-sol deixei de ver, quantas luas vieram dar seu espetáculo noturno, enquanto eu vertia lágrimas.
Ao mesmo tempo em que a internet possibilitou o contato entre as pessoas, ela faz com que seres próximos deixem de se falar, por puro comodismo. Em meu "romance", ela funciona como um abismo.... As ligações, que antes eram frequentes, se tornaram cada vez mais escassas. Quantas lágrimas caíram em frente à tela do computador! Quantos suspiros de decepção foram a única coisa que eu consegui falar, enquanto eu esperava apenas uma mensagem. Só uma.
Meus fantasmas me perseguem, dizendo que eu devo deixar de lado as minhas lágrimas (que talvez nem sejam mais tão sinceras quanto as de antigamente), enxugar o rosto e vestir minha roupa de viver. E eu, insisto em viver as minhas paixões de forma alucinada, inconsequente, imprevisível. É o tipo de coisa que não dá para controlar.
A dor que sinto em meu coração enquanto digito essas linhas mal-escritas é algo sufocante, que me aperta a garganta e me gela a alma. Tudo isso por saber que ele leu o que eu lhe mandei, mas nem se deu ao trabalho de responder.
Se ele vale a minha dor? Óbvio que não. Mas o meu coração idiota insiste em enxergar sinceridade onde não existe. Minha solidão opcional deixa meus sonhos tortos cada vez mais lúcidos. Aquele tipo de calma que só o desespero me proporciona.
Mas eu ainda não vou me matar. Não essa noite. Ainda tenho muitas lágrimas para derramar, muitos sorrisos para distribuir, muitas paixões doentias para me derrubarem.
Talvez o motivo real de eu subir tão alto e depois me jogar de cabeça em tantas aventuras seja apenas para, depois de machucada, desiludida, desesperada, eu possa levantar, limpar a poeira e subir novamente.
Ou talvez não.

Nenhum comentário:
Postar um comentário