domingo, 10 de junho de 2012


Utupiando...


Mais uma vez, a garotinha que eu pensava ter abandonado de vez deu as caras. Ela insiste em apaixonar-se por pessoas erradas, ao mesmo tempo em que eu faço um esforço sobre-humano para tentar detê-la. Essa garota é realmente muito teimosa.

A última vítima de seu amor doentio é, por assim dizer, tão imaturo quanto ela.  Talvez seja por isso que ela queira tanto estar ao seu lado. Ela pensa que eu posso resolver os problemas de ambos, quando, na verdade, mal consigo resolver os meus. Mas não é sobre isso que eu queria falar.

A pessoa em questão é um ser adorável, doce, sociável, imaturo e irresponsável.  Encontrei-o da forma mais inimaginável possível, e, desde então, nos falamos diariamente. O problema é que a pessoa em comum  que nos ligou é um dos protagonistas de um pequeno erro cometido por mim, e melhor amigo da pessoa em questão. Desde o dia em que o conheci, percebi que deveria ser o mais verdadeira possível com ele. Simplesmente deixei as roupas e as máscaras caírem. Talvez de uma forma muito precipitada, talvez não.

Esse menino  me surpreendia a cada dia mais, com visitas furtivas na madrugada, ligações inesperadas e uma personalidade ímpar. Então ele, em uma brecha de descuido, me apresentou o seu menino interior.  Vi uma criança órfã de pai e mãe, que mantém pouco contato com o restante de sua família, e que grita pedindo estabilidade emocional e limites.
Vi também um adolescente irresponsável, imaturo, inconsequente e sedento por aventura. Seu principal objetivo era beber, beber, beber...
Logo atrás do adolescente me deparo com um adulto atordoado, que acabara de perder a mãe e se separar da esposa. Que, com 28 anos, não dava a mínima bola para a faculdade, não tinha um emprego que o satisfazia, não tinha família, porém tinha amigos. Há quem diga que amigos são melhores do que família. Não nesse caso.

Seus amigos, mesmo sendo tão irresponsáveis quanto ele, ainda tinham um lugar para o qual correr: a família. O meu amigo sequer  tinha isso. Acredito que essa constatação deixou o seu adulto tão abalado que o adolescente irresponsável assumiu completamente o controle. A diversão deixou de ser um prazer, e passou a ser a palavra de honra.

Os limites por essa busca incansável foram extrapolados:  o trabalho perdeu todo o sentido, passando a ser apenas a fonte de custeio de toda a bebida.  A rotina resumia-se em festa-sono-trabalho-festa.

Qual é o sentido disso?



O prazer não deve ser o combustível de nossa viagem, mas sim a chegada. O prazer antecipado que se sente com a chegada das férias e o seu planejamento é tão importante quando as férias em si.Mas quando o único objetivo da vida da pessoa é a busca exagerada por diversão, sem qualquer tipo de foco em nenhuma outra atividade(como o trabalho, por exemplo), essa perde completamente a sua essência. 
Seus dias são sempre iguais. Sempre.
Qual é a verdadeira razão disso tudo?
A diversão deve estar a teu serviço, para te satisfazer, e não o contrário. Meu amigo virou um mero escravo dela, sem sequer dar-se por conta disso.

Acredito que o prazer está configurado das mais diversas formas e que,enquanto seres racionais, temos o objetivo  de encontrar a beleza em nossa rotina

Meu amigo virou um fugitivo. Foge da realidade em que ele se encontra, foge de toda a minha sensatez, foge. Essa busca por bebidas todas as noites não passa de um alcoolismo disfarçado, maquiado para parecer bonito, descolado e legal, quando na verdade não passa de um monstro que consome seu tempo, seu dinheiro e sua alma.

"A rotina ganha sentido quando vira diversão, mas a diversão perde totalmente o seu sentido quando vira rotina."

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