Minha vida não passa de um caleidoscópio alucinante de sentimentos, muitos dos quais nem eu mesma entendo. Bipolaridade? Acho que não.
Prefiro muito mais dizer que, a cada dia que passa, as partes que me compõem se reorganizam, criando um novo Eu todas as manhãs.
Ás vezes, quem acorda é uma mulher decidida, que não precisa de aprovação de ninguém para tomar suas decisões.
Outros dias, a mulher decidida não acorda. Quem dá as caras é uma adolescente simpática, que só quer saber de festas, amigos e diversão.
Quem também aparece, por vezes, é uma senhora completamente focada, que sabe que precisa ser sensata e fazer o que é melhor para todos...
Mas quando estou com ele, a única que aparece é a menina apaixonada, boba, que faz de tudo para agradar o seu objeto de afeto e recebe em troca um suave desprezo, um "contente-se com o que você tem, pois disso aqui não vai passar".
Em troca de sua idolatria e admiração ela ganha restos de atenção, de um alguém que a vê como um objeto de diversão momentânea, afirmando para si mesmo e para ela que ele é muito bom, e ela tem que agradecer pelas sobras de carinho e afeto. A justificativa básica é que ele não pode mais amar.
Dessa forma, as peças em mim se reorganizam lentamente, transformando a menina apaixonada em uma mulher amarga, rancorosa, porém muito mais dura e experiente.

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